http://www.makepovertyhistory.org

sábado, janeiro 21, 2006

O Futuro

© copyright André Silva 2004. All rights reserved. Proibida a cópia sem referência ao seu autor.


"Parece-me mais que obvia a certeza de sabermos qual o próximo Presidente da República!"

Isto é, caros leitores, uma autêntica MENTIRA!
A primeira pessoa que for votar, amanhã, e se votar, por exemplo, Francisco Louçã, fará com que, durante segundos, este tenha 100% dos votos! Se é tudo isto verdade, sabendo que hoje, agora, todos os candidatos têm zero votos, porque tentam constantemente dar a vitória a um ou outro candidato?

Nas sondagens mais recentes, Manuel Alegre surge em terceiro lugar a muito poucos pontos de Mário Soares: ora se houver um grupo de apoiantes de Mário Soares a organizar um almoço antes de ir votar, a comida pode perfeitamente ter qualquer problema e ficarem mal dispostos, de uma forma que não os permitam ir votar! Assim já Manuel Alegre seria o segundo! O caso é caricato mas é uma forma de tentar mostrar que votar importa, e que nunca nada está decidido. Os políticos têm a mania, bem como a comunicação social, de fazer crer que não adianta ir votar porque está tudo decidido, logo não se admirem com a quantidade de abstenções que há! As pessoas ficam com a ideia de que na democracia não vale a pena e que aquilo está tudo viciado, e eu começo a dar razão a essas pessoas. Espero que um dia as sondagens acabem, porque essa é uma forma de viciar a democracia tal como esta devia ser. Assim as pessoas não saberiam em quem a maioria tem intenções de votar, e como tal votariam naquele que satisfaz por completo os ideais de quem vota.

Mas aparte de tudo isto, quero deixar claro que esta foi uma campanha interessante, se bem que desesperada por parte da esquerda, em que se obtiveram bons resultados a nível de massas (no caso de Gerónimo de Sousa, por exemplo, que ainda faz crer que as pessoas acreditam em ideais, e lutam por eles (ou que pelo menos se manifestam)) bem como de uma campanha superior e inteligente, sem necessidade de responder à guerra com a guerra e não o fazendo (o caso de Cavaco é interessante, porque geralmente, mesmo com a tal superioridade de sondagens, quando se ataca responde-se, e este não o fez, conseguindo manter-se digno como qualquer presidente da República Portuguesa deve ser) mas também de vozes que se fizeram ouvir, bem do fundo, fazendo pensar o quanto condicionadas as pessoas são (o candidato Garcia Pereira pode congratular-se por ter conseguido fazer pensar nesse assunto).

Como remate, espero que amanhã se obtenha uma abstenção minúscula, preferencialmente inexistente, em que finalmente os portugueses e portuguesas, todos eles, votem com confiança e com vontade de mudar. Para mim, além de uma segunda volta, haverá uma surpresa. Não confio em sondagens. Confio em quem vota. Confio nos valores.

Depois, Alea Jacta Est.

terça-feira, janeiro 17, 2006

o Sexto Império


© copyright André Silva 2004. All rights reserved. Proibida a cópia sem referência ao seu autor.


Presidenciais, democracia, república, poetas, carcaças, Portugal, milagre, desgraça, fim, foi.

Cada vez mais julgo que Portugal cai, até porque Abyssus abyssum invocat, a um nível estupidamente exagerado e ridículo. Por vezes pergunto-me onde vivo. Portugal, pois certamente. Mas que raio é Portugal? Este pedaço de Terra a quem chamam País, desprovido de tudo e cheio de nada? Onde está o sonho, aquele que a vida comanda, e onde a felicidade e o Amor? Secou. Portugal está seco. Morto.

Gostava de ver Portugal renascer, de o ver novamente animado, esperançoso, orgulhoso, ciente de si, cultural. Um verdadeiro País.

Mas a realidade faz-me pensar que estamos muito longe deste sonho, e que caminhamos no sentido inverso.
O Sexto Império está a chegar e não falta muito. Destruição? Talvez... Desgraça? Certamente! Monarquia? Uma óptima ideia! Continuar como estamos, sem vontade de viver, sem luz ao fundo do túnel nem sequer rumor sobre a sua existência? NÃO! Agora, a realidade parece-me muito fácil descortinar: o Império vai voltar. Portugal vai fazer parte de um grande grande império como outrora foi, juntamente com o seu país "irmão": O Império do Brasil.

Aí escondam-me por favor... sou Português e por isso, neste momento, não tenho País.

------
Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Jorge Palma

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Macilenti pediculi acrius mordent


Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.

E diz o inteligente
que acabaram asa canções.


(e diz o estudante "faz-me lembrar algo")

Esta é a letra, escrita por José Carlos Ary dos Santos, que, interpretada por Fernando Tordo em 1973 no festival da canção o ganhou. Leiam bem o conteúdo da letra. A censura destruía até virgulas, e não baniu esta letra porquê? Ou porque era demasiado estúpida ou demasiado crente na estupidez dos alunos...não! Queria dizer, das pessoas!
Um ano depois caiu o regime, e as pessoas subiram ao poder. Ponto Final.

domingo, janeiro 08, 2006

Another Brick in The Wall



Fico extremamente contente por, estes dias, não haver grandes notícias que façam a comunidade escolar interessada e activamente positiva entrar em erupção, o que é consideravelmente bom. No entanto, lembrem-se que é importante que estejamos alerta, porque o Muro continua em pé e a qualquer momento poderá haver mais um tijolo a ser posto, mais um bocado de Muro erguido.

Não queremos Another Brick in The Wall.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Guerra e Paz



Quem tinha razão, quem tinha? Quem tinha?


Parece que depois de tanto tempo de manifestações, protestos e afins parece que, finalmente, as aulas de substituição para o ensino secundário deixam de ser obrigatórias. A 3 de Janeiro. Pergunto-me eu, tendo nós chegado à conclusão que essas não faziam sentido à meses atrás, foi preciso tanto tempo e tanta barafunda para depois nos darem razão.
Culpa nossa ou não, o que é certo é que aquilo pelo qual combatemos foi finalmente posto em prática: se fomos nós, mostrámos que sabemos o que queremos e que trabalhamos para isso. Se não fomos nós, então resta-me acreditar que a gestão da Escola não é tão incompetente como parece, para ter decidido uma coisa e depois alterado (e se recebeu carta de algum outro orgão, mais difícil se torna esta demonstração de fé).


Não existe vento favorável para aquele que não sabe para onde vai. (Schopenhauer)

DirecTV Special
DirecTV Special