http://www.makepovertyhistory.org

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Macilenti pediculi acrius mordent


Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.

E diz o inteligente
que acabaram asa canções.


(e diz o estudante "faz-me lembrar algo")

Esta é a letra, escrita por José Carlos Ary dos Santos, que, interpretada por Fernando Tordo em 1973 no festival da canção o ganhou. Leiam bem o conteúdo da letra. A censura destruía até virgulas, e não baniu esta letra porquê? Ou porque era demasiado estúpida ou demasiado crente na estupidez dos alunos...não! Queria dizer, das pessoas!
Um ano depois caiu o regime, e as pessoas subiram ao poder. Ponto Final.

DirecTV Special
DirecTV Special